"Observar capacita o homem a uma reflexão mais profunda da vida." Tania Castelliano
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Poesias

Da vez primeira em que me assassinaram Perdi um jeito de sorrir que eu tinha… Depois, de cada vez que me mataram, Foram levando qualquer coisa minha… E hoje, dos meus cadáveres, eu sou O mais desnudo, o que não tem mais nada… Arde um toco de vela, amarelada… Como o único bem que me ficou! Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada! Ah! Desta mão, avaramente adunca, Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada! Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai! Que a luz, trêmula e triste como um ai, A luz do morto não se apaga nunca! Mário Quintana

Do inquieto oceano da multidão Veio a mim uma gota gentilmente suspirando: Eu te amo, há longo tempo fiz uma extensa caminhada apenas para olhar-te, tocar-te, pois não podia morrer sem te olhar uma vez antes, com o temos de perder-te depois. Agora que nos encontramos e olhamos, estamos salvos, retorne em paz ao oceano, meu amor, também sou parte deste oceano, meu amor, não estamos assim tão separados, olhe a imensa curvatura, a coesão de tudo tão perfeito! Quanto a mim e a você, separa-nos o mar irresistível deixando-nos algum tempo afastados, embora não possa afastar-nos sempre: não fique impaciente - um breve espaço -, e fique certa de que são seus o ar, a terra e o oceano, todos os dias ao pôr do sol por sua amada causa, meu amor. (Walt Whitman, Folhas de relva)

Travesseiro! Amigo fiel de todas as viagens. Solidário e compreensivo ao ser esmagado na mala. Nunca reclamou dos apertos. A única coisa que exigia era: fronha limpa e cheirosa. Quartos frios, pequenos... Quartos quentes, suntuosos, Até mesmo em suíte presidencial você foi parar. Mas só a minha cabeça ele pode acalentar e consolar. Nas noites frias de solitude Você meu verdadeiro e fiel amigo, sempre afagou meus cabelos. Enxugou minhas lágrimas E feliz ficou com meus sorrisos. Lembra quando dos trovões provocados pelos raios Que clareavam toda a noite de Palmas? Nos abraçávamos e orávamos juntos a Deus. E o teu calor do meu abraço Acalentava-me durante a tempestade. Quantos segredos você extraiu do meu doce pensamento? E só você é capaz de extasiar-se com meus sonhos... Quanto você valerá, já pensou nisso? Será que alguém terá a coragem de aprender contigo Toda sabedoria que te deixarei um dia?... Ou talvez alguém lembrará que você deverá Acompanhar-me no repouso final. (Do livro A Tempestade dos Sonhos)

Estrelinha, onde você está? Você ficou perdida no meio de tantas. Preciso te encontrar. Seu brilho me dá mais vida. Quando penso em você, posso refletir nesta imensidão de céu... E a minha estrelinha está apagada navegando por este infinito céu. Quando aqui chegaste, de repente Como um toque de mágica acendeste a minha fé. Meu Deus! O que está acontecendo agora? Ele é como a estrela do céu que brilha. Vejo-a, contemplo-a, mas não posso tê-la. Senhor, está sendo a pior de todas as provas. Será que terei que ficar só contemplando o seu brilho, Sem ao menos poder tocá-lo? Sua irreverência me atrai. Sua timidez me encanta. Seus olhos me procurando fazem meu coração palpitar. Falar com ele me faz gaguejar. Sua coragem me faz refletir: Será ficção ou fantasia? O que está acontecendo comigo? Se não o vejo, sinto sua falta. Se ele não me vê, também sente minha falta. Minha alma revela. Oh! Meu Deus, ajuda-me! Quando ele se for... Minh’alma vai sentir-se tosada. Não, Senhor! Não passe a segadeira para aparar a grama do jardim. Preciso vê-lo, somente vê-lo. (Do livro A Tempestade dos Sonhos)

Oh! Deus, não sei se a minha face está perdida. Mas a minha estrelinha, onde ela está? Socorro, estrelinha! Preciso de você. Ninguém me entende, ou não quer me entender. Mas vocês aparecem na hora da dor. Quando olho para todas vocês Neste céu infinito, no meio destas montanhas... Sinto que às vezes te perco do meu caminho. Já sei! O meu anjo está agindo por mim a mando de meu pai. E nesta hora não te vejo. Senhor, peça para que teu anjo vele meu sono. E obrigada por mais um dia de vida. Amém.



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